Se você constrói ou reforma nos EUA, o inimigo da sua margem em 2026 não é a falta de obra: é o preço do material. Um relatório da Cushman & Wakefield mostrou que os materiais de construção subiram 13,3% em 12 meses, quase cinco vezes o ritmo do ano passado. Alumínio subiu 41%, cobre 40%. E tem tarifa de 50% sobre aço e alumínio importados desde junho de 2025.
Obras sendo engavetadas
A conta não fecha e os projetos estão caindo pelo país:
- •A Georgia-Pacific desistiu de converter parte da sua sede de 51 andares em Atlanta em apartamentos, lojas e entretenimento: o custo de construção matou o projeto.
- •Na Virgínia, um projeto de mais de 700 unidades residenciais mais varejo foi abandonado pelo dono do terreno.
- •Na Filadélfia, uma construtora trocou a torre residencial de luxo por um prédio comercial de 34 mil pés quadrados, quatro anos depois de comprar o terreno.
Os números oficiais confirmam o freio: a Dodge Construction Network informou que os inícios de obra caíram 24,8% em agosto, para US$ 1,34 trilhão em ritmo anual. O residencial caiu 5,2% no mês.
As gigantes discordam sobre a mão de obra
Na call de resultados de 17 de setembro, o CEO da Lennar, Stuart Miller, disse que o mercado de trabalho da construção está apertando de novo, citando a fiscalização de imigração e a febre de construção de data centers disputando gente em algumas regiões.
Cinco dias depois, o CEO da KB Home disse o oposto: por lá, não está difícil levar gente para a obra, porque os inícios de construção caíram. A pressão que eles sentem é de material e combustível, tanto que criaram uma sobretaxa de combustível nos contratos com parceiros, que sai automaticamente se o diesel baratear.
“A fiscalização de imigração e a construção entusiasmada de data centers continuam apertando o mercado em certas regiões. Conseguimos compensar com eficiência de escala, mas a pressão sobre os custos está crescendo.”
— Stuart Miller, CEO da Lennar
O que isso muda para quem constrói e reforma
- •Orçamento travado é prejuízo anunciado. Inclua cláusula de repasse ou dê validade curta para o preço com material embutido.
- •Comprar com estratégia vale mais do que pechinchar. Com alumínio e cobre nesses níveis, travar preço com fornecedor protege a margem.
- •Mire onde tem dinheiro. Data centers, energia e semicondutores seguem puxando obra, enquanto outros segmentos esfriam.
- •Diesel acima de US$ 6,50 o galão (dado da EIA citado pela Bisnow) encarece o frete de tudo: coloque a logística na conta do orçamento.
Em 2026, perder dinheiro na construção americana raramente é por falta de obra. É por orçamento feito com preço de ontem num mercado que reajusta toda semana.
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